#PETfala: Como é cursar Psicologia

Texto de autoria da PETiana Dalyssa Gomes

Como é cursar Psicologia

Quando entrei no curso de psicologia, não fazia ideia do que iria encontrar aqui dentro. Me deparei com áreas que nem imaginava que existiam. Sendo assim, esse é um textinho que gostaria de ter lido antes de entrar e acredito que também possa ser esclarecedor para pessoas que não tem muito contato com a área. Antes de tudo, acho válido contar que não escolhi Psicologia por afinidade, mas sim por pura pressão na hora da inscrição para o vestibular. Então, quando entrei, para mim, psicólogo era aquele que ficava em uma salinha resolvendo problemas dos outros e, de vez em quando, analisando pessoas desconhecidas na rua e descobrindo sua história de vida apenas pelos seus trejeitos. Quando entrei no curso, tive que fazer uma disciplina chamada Psicologia: Curso e Profissão, que teve palestras de profissionais de várias áreas de atuação.

Costumamos falar que não é A Psicologia, mas que são várias Psicologias, porque essa não é uma área delimitada e os fenômenos psíquicos e sociais podem ser explicados por várias abordagens e áreas diferentes. Além disso, algumas áreas se propõe como ciência, enquanto outras não. Falando em ciência, é importante lembrar que a Ciência não prova as coisas, apenas atesta, o conhecimento se modifica ao longo do tempo e de acordo com que as coisas são mais estudadas.

Começando pelo curso de psicologia já temos três tipo de habilitações possíveis, bacharel, psicólogo e licenciatura. Explicando de forma rasa, a habilitação psicólogo possibilita que as pessoas exerçam a profissão de psicólogo, seja em qualquer área; bacharel é voltada para área de pesquisa e carreira acadêmica; licenciatura está voltada para o ensino em ensino fundamental, médio e técnico. É possível que se forme nessas três habilitações, mas o mais comum é que as pessoas se formem na habilitação psicólogo que leva um pouco mais de tempo, cinco anos.

Com relação à profissão, existem muitas áreas de atuação, como, clínica, social, organizacional, saúde, escolar, desenvolvimento, experimental, trabalho, entre outras. Na área clínica mesmo, que é mais conhecida, podemos ainda diferenciar as abordagens, como, por exemplo, psicanálise, análise do comportamento, psicologia analítica, gestalt, sistêmica, familiar, humanista, cognitivo-comportamental. Essas abordagens também perpassam as outras áreas da Psicologia já que muitas vezes as bases teóricas são as mesmas ou até mesmo as áreas se complementam dentro de uma abordagem. Todas as áreas e abordagens são passíveis de pesquisa, mas algumas têm foco mais nisso, do que outras, como, social e experimental e outras tem maior foco em intervenções como clínica e do trabalho.

As áreas de atuação não são uma extensão da clínica, ou seja, o psicólogo não está sempre fazendo psicoterapia em seu local de trabalho. O psicólogo da saúde, por exemplo, não tem possibilidade de iniciar um processo psicoterápico com todos os pacientes e familiares em um hospital, então, ele trabalha com estratégias de enfrentamento da doença, de prevenção e psicoeducação, assim como o psicólogo escolar, que não tem como fazer psicoterapia com todos os alunos e pais de uma escola, mas trabalha com estratégias de intervenção no ambiente escolar que dizem respeito a todos os alunos e que seriam necessárias para resolver conflitos e trazer bem-estar para a maioria dos estudantes e familiares, por exemplo.

Outra coisa que é importante ressaltar é que a Psicologia, assim como toda profissão regulamentada, possui um Conselho Federal e vários regionais que possibilitam a atuação. Então um psicólogo em atuação precisa estar credenciado e possuir um CRP. Além disso, o CFP (Conselho Federal de Psicologia) possui um Código de Ética que deve ser seguido para se manter credenciado a ele, sendo passível de punições aqueles que o infringirem. Isso serve tanto para proteger os psicólogos quanto as pessoas que precisam desse serviço, mas também para padronizar a atuação.
Resignificando o meu pensamento pré-curso, o psicólogo não está apenas na área clínica e muito menos resolve problemas ou analisa pessoas aleatoriamente. Na psicoterapia o papel do psicólogo é auxiliar a pessoa a encontrar estratégias para que ela mesma possa resolver seus problemas. Quando diz respeito a análise de pessoas no bar, nós só seremos capazes de analisar as pessoas se temos acesso a história de vida dela e as demandas que ela apresenta, mas, não vou mentir que, de vez em quando, a gente analisa sim alguns familiares e amigos, faz parte da nossa evolução dentro do curso e, sinceramente, diz mais da gente do que da outra pessoa.

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Jornada PET-Psicologia: DROGAS

Olá a todas(os)!

Sabemos bem que o tema “Drogas” é sempre bastante questionado em diversos meios, de diferentes formas. Tendo isso em vista, percebemos a demanda voltada para a discussão deste assunto com novas perspectivas, menos estigmatizantes.

É com imenso prazer que o PET-Psicologia anuncia a Jornada com o tema “Drogas”, que será promovida no dia 26 de agosto, das 8h às 18h.

Contaremos com a presença de palestrantes qualificados para debater os seguintes temas: Drogas e Fármacos; Drogas Ilícitas; Drogas e Religião.

Por fim, abriremos uma roda de conversa com a temática: “O olhar psicológico frente ao consumo de drogas”, a qual todos estarão convidados a participar.

Para garantir a participação no evento, é preciso fazer a inscrição gratuita no link a seguir: https://goo.gl/forms/dK8ecJLp4oCf8AGg2

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XXI Encontro Nacional dos Grupos PET (ENAPET)

Entre os dias 01 a 05 de agosto, o PET-Psicologia esteve presente no XXI Encontro Nacional dos Grupos PET – ENAPET, realizado em Rio Branco – Acre.
Esteve presente nossa tutora, Rachel Nunes, e nossas petianas Alice Sales, Amanda de Moraes e Ingrid Fernandes.
As discussões e decisões do XXI ENAPET giraram em torno da indissociabilidade dos pilares do programa: ensino, pesquisa e extensão.

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PET-NEWS: Identidade e Diferença, reflexões internas para um coletivo melhor.

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Identidade e Diferença: reflexões internas para um coletivo melhor.

Precisamos discutir as questões de multiculturalismo e diferença. Com a globalização constante e veloz as pessoas têm se deparado com inúmeros choques culturais e variações de conduta pessoal que causam no mínimo estranhamento. Porém a pior consequência tem sido reações violentas e de intolerância.

A identidade é aquilo que sou, a diferença é aquilo que o outro é. Parece fácil compreender, mas analisar essas frases implicam uma série de negações e estereótipos, fruto da produção social e consequentemente linguística. Moscovici(2003) expressa bem:

 “Representações, obviamente, não são criadas por um indivíduo isoladamente. Uma vez criadas, contudo, elas adquirem uma vida própria, circulam, se encontram, se atraem e se repelem e dão oportunidade ao nascimento de novas representações, enquanto velhas representações morrem.”

É apenas por meio de atos de fala que instituímos a identidade e a diferença como tais. Somente pela linguagem que é possível entender tais conceitos, e a linguagem é fluida e instável, exigindo uma capacidade crítica apurada para analisar esses conceitos que acompanham as mudanças da linguagem, é por meio dela que fica visível o conceito de identidade e diferença e também por meio dela que é possível identificar os estereótipos e a cultura enraizados no indivíduo. Já dá pra entender porque é importante escutar, entender e respeitar os que as pessoas falam?

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Quando entendemos assim, percebemos que esses conceitos são carregados de poder. São instrumentos políticos e sociais que explicam porque formam-se grupos, porque é mais fácil estar rodeado dos que expressam igualdade pela fala. Isso quer dizer que não importa se realmente a pessoa pertence àquele grupo, mas importa se ela fala que pertence, se ela se identifica e se diferencia dos outros, expressando seus anseios.

E essa é uma questão tão séria que essa fala altera profundamente o meio em que se propaga. No livro “Subliminar” o autor cita uma pesquisa em que um grupo respondeu perguntas sobre sua origem, enfatizando o fato de serem asiáticas (e portanto “boas em matemática”), outro respondeu perguntas sobre temas femininos (e mulheres, segundo o que dizem, são “ruins em matemáticas”), e um terceiro grupo, de controle, respondeu perguntas neutras. Conclusão, as mulheres que foram induzidas a se ver como asiáticas foram melhores que o grupo de controle, que foi melhor que o grupo que se identificou apenas como “mulheres”. Ou seja, mulheres que vivem numa sociedade que diz que ciências exatas é coisa de homem inconscientemente são afetadas pelo preconceito (Leonard Mlodinow, 2013). Isso nos ajuda a entender o processo de normatização, pois uma vez que um grupo que elege o que é natural e desejável isso ajuda a “poupar energia”. É um processo biopsicossocial, é mais fácil e econômico seguir a norma da cultura do que questioná-la.

Ao chamar a atenção para esses aspectos entendemos como a hibridização se constrói e faz surgir teorias como a Feminista e a Queer. Assim, a identidade precisa ser representada, deslocada para dentro do conceito de performatividade, para ser vista como movimento e transformação. Dessa forma pode ser descartado o constructo rígido que identidade é fixa, é preto no branco.

É por meio dessa reflexão que os processos de produção social e as relações de poder são reestruturadas para dar o devido espaço à multiplicidade, para uma nova visão de natureza humana variável, e consequentemente tratar psicologicamente atitudes inadequadas desde a escola. Infelizmente ainda não temos uma teoria da identidade e da diferença e refletir sobre isso cria ainda mais urgência em desenvolver uma. A tolerância e respeito pregados atualmente não conseguem abranger a essência do que significa lidar com o que está fora do padrão pessoal e não contribui para uma reflexão crítica e libertadora sobre o assunto.

 

Referencia:

Identidade e diferença: uma introdução teórica e conceitual, de Kathryn WOODWARD, p. 7-72. In: SILVA, Tomaz Tadeu.

 

PROCESSO SELETIVO ABERTO! Venha fazer parte do PET-Psicologia!

Amigxs da Psicologia,

Esse recado é pra vocês!

O PET está procurando novos membros!!! o///

E VOCÊ pode ser um deles! 

Para fazer parte desse grupo é obrigatório que você participe das aulas que ocorrerão no dia 26/11/2015, às 18h ou no dia 27/11, às 12h, na sala AT-141- Auditório do IP.

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*Seleção: A seleção será feita em  4 (quatro) etapas. A primeira etapa, consiste no  candidato assistir obrigatoriamente a uma das aulas que serão ministradas sobre o PET – Psicologia para que a inscrição seja homologada. A segunda etapa, de caráter eliminatório e classificatório, consiste de uma avaliação escrita com uma questão obrigatória referente ao Manual de Orientações Básicas (MOB) e ao PET, e quatro questões entre as quais o candidato deverá escolher uma para responder, referentes às disciplinas Fundamentos de Análise do Comportamento, Processos de Desenvolvimento Humano, Fundamentos de Psicologia Clínica e Psicologia Social 1. A terceira etapa, de caráter eliminatório e classificatório, consiste em uma dinâmica de grupo. A quarta e última etapa, de caráter eliminatório e classificatório, consiste de uma prova oral com a Comissão responsável pela seleção. Somente os candidatos que obtiverem desempenho maior ou igual a 50% da pontuação máxima em cada uma das duas questões que responderá na prova escrita, passarão para a próxima fase. Somente os candidatos que obtiverem desempenho maior ou igual a 60% da pontuação máxima possível na dinâmica passarão para a prova oral. Somente candidatos que obtiverem desempenho maior ou igual a 70% na prova oral, serão aprovados.

*Os requisitos que um aluno deve ter são: possuir IRA maior ou igual a 3.5, ser aluno regular do curso de psicologia e dispor de 20 horas semanais para cumprimento das atividades, que consistem em reuniões, extensão, organização e realização de atividades de ensino (grupos de estudo, jornadas acadêmicas, discussões, etc). 

As inscrições estarão abertas entre os dias 27/11 até 4/12/2015 e vão ser efetuadas na Secretaria do Instituto de Psicologia. É necessário retirar a ficha de inscrição da secretaria, preenchê-la e devolvê-la com cópias do RG, do CPF e o histórico escolar com IRA emitido pela Coordenação de Gradução, original e com carimbo (não serão aceitos históricos obtidos da web), juntamente com a entrega da carta de intenção e motivação para ingressar-se no PET-Psicologia, sendo essa em modelo e conteúdo a livre escolha do candidato.

Att,

Pet-Psicologia

Qualquer dúvida, contate-nos.

Email: petpsicounb@gmail.com

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PET-NEWS: Machismo disfarçado de opinião: Caso Dilma Rousseff

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Machismo disfarçado de opinião: Caso Dilma Rousseff

           O Brasil encontra-se num momento de crise política e econômica, em que o que não faltam são reclamações e culpabilizações dirigidas à atual presidente, Dilma Rousseff. É evidente que existe a parcela de responsabilidade dela para esse cenário, o que, no entanto, não justifica a forma como muitas pessoas vêm manifestando seu descontentamento: através de xingamentos ligados a seu aspecto físico e vida sexual. O que afinal isso tem a ver com o desempenho político de alguém?

             Na última semana de agosto, um dos editores da Revista Época, João Luiz Vieira, publicou um artigo no site da revista intitulado “Dilma e o Sexo”, em que o jornalista atribui os problemas da presidente à “falta de erotismo”. Alguns trechos do artigo podem ser lidos a seguir:

“Dilma Rousseff precisa tomar a decisão de nos erotizar.

[…]

Não a conheço pessoalmente, nem sei de ninguém que a viu nua, mas é bem provável que sua sexualidade tenha sido subtraída há pelo menos uma década, como que provando exatamente o contrário: poder e sexo precisando se aniquilar.

[…]

Será que Dilma devaneia, sente falta de alguém para preencher a solidão que o poder provoca em noites insones? Será que ela não se ressente de um ser humano para declarar que quer mandar todo mundo para aquele lugar, afinal ela não tem como dizer isso para o neto, supostamente seu melhor amigo, que ainda nem sabe ler? Será que ela não sente falta de comer pipoca enquanto assiste suas séries de TV paga, que tanto ama e a faz relaxar das pressões inerentes ao cargo?”

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            O artigo nos leva a observar o caráter muitas vezes depreciativo do jornalismo atual sendo chamado de “opinião crítica”. O materialchegou a ser retirado do ar,mas o questionamento continua:por que ainda vemos o uso de critérios desse tipo para julgar a atitude política da presidente? Dado que,além desse cenário, houve esse ano o uso de adesivoscom a figura dela de pernas abertas nos tanques de gasolina de alguns carros.  Sem contar os inúmeros “vaca”, “puta”, “dentuça” “gorda”, “arrombada” utilizados contra a presidente durante pronunciamentos públicos.

           Além disso, vale refletir sobre quantas vezes já foram vistos comentários ou ofensas à aparência física e vida sexual de um presidente do sexo masculino? Quantas vezes alguém comentou da roupa que Lula ou Fernando Henrique estavam usando num pronunciamento? Quantos comentários sobre eles terem engordado? Quantos comentários ou reportagens relacionando seus desempenhos políticos à suas vidas sexuais?

               Tratam-se de agressões verbais e simbólicas que não atingem só a Dilma como presidente, mas como mulher, pois a sexualidade feminina é feita de chacota e usada com fins de dever agradar a alguém, de modo que  a presidente como mulher é objetificada. Tais fatores versam sobre o reflexo de uma sociedade misógina e machista em que a figura feminina é frequentemente olhada com expectativas sexuais e de beleza física em detrimento do que ela é como pessoa e de suas competênciasno âmbito profissional.

          Apesar de Dilma ter ultrapassado o chamado “teto de vidro”, conceito utilizado na psicologia organizacional  que se refere a uma barreira sutil, mas suficientemente para bloquear a ascensão das mulheres a níveis hierárquicos mais altos no mercado de trabalho, ela encontra barreiras para o respeito em seu posto como mulher.Além disso, segundo o autor Belle,  para ultrapassar o teto de vidro, as mulheres precisam se  adaptar ao ambiente (favorável ou desfavorável ao seu desempenho) que as próprias organizações lhes propiciam. Um ambiente marcadamente masculino, em que além de utilizarem sua condição feminina para rebaixá-la, é comum que as pessoas associem-na a alguém que só faz o que o presidente Lula “manda”, certamente não é muito favorável.

            Diante disso, é evidente que desqualificações como as feitas pelo jornalista e por parcela da sociedade são reflexo de algo que atinge todas as mulheres.Assim,É necessária a desconstruçãoda ideia de que uma pessoa do sexo feminino deva ser visualmente agradável somente por ser mulher e daligação ilógica entre o desejo sexual masculino e a efetividade da capacidade profissional de uma mulher.Afinal, machismo não é opinião, mas perpetuação de desigualdade e violência.